GNV: Desmistificando mitos
Indiscutivelmente o gás natural tem sido nos últimos anos a opção mais econômica dos combustíveis, quando na aplicação GNV - Gás Natural Veicular.
Sabe-se, também, que dentre outras vantagens destacam-se:
- Maior vida útil do motor;
- Menor formação de depósitos;
- Menor carbonização do óleo lubrificante e menor risco de sua degradação, entre outras.
Muitas têm sido as vantagens divulgadas por instaladores, postos de GNV, fabricantes de Kits e demais interessados no crescimento deste mercado.
Com a liberação do uso do GNV para toda frota nacional em 1996, (antes limitado a algumas frotas cativas, como táxis e ônibus), ou seja, aqueles que desejassem investir numa opção mais econômica poderiam tornar o seu veículo bicombustível.
Hoje, passado o momento da “corrida ao ouro,” começam a surgir alguns mitos e questionamentos do tipo: “o motor a gás bate mais cedo”? “O fato do GNV ser um combustível seco, as válvulas ficam sem lubrificação chegando a travar e isto não causa problemas ao cabeçote”? Por que o motor dá tanto estouro? A vida útil do motor diminui? Vale a pena o investimento?
Vamos por parte. Em relação às válvulas, observa-se que não é o combustível quem as lubrificam e sim o óleo lubrificante e a causa do seu travamento na maioria dos casos, dar-se por excesso de carbono gerado quando o motor funciona com gasolina oxidada (velha), pelo fato de permanecer muito tempo no tanque sem ser consumida, em torno de 25 dias, o que também contribui para a degradação do óleo.
Em se tratando de veículos equipados com distribuidor, é possível os mesmos vir a ter problemas de cabeçote, não por culpa do gás, mas sim por omissão de alguns instala-dores, que para baratearem o kit de gás negam a necessidade do Variador de Avanços, componente importantíssimo na preservação do sistema de ignição e o bom rendimento do motor como também aspectos termodinâmicos e de emissões de poluentes quando o mesmo funciona com GNV. A falta deste componente leva a uma prática não correta, de se avançar o ponto de ignição do motor visando o seu melhor rendimento no gás. Ocorre que na falta do gás o mesmo necessitará de funcionar no combustível original e estando o ponto de ignição muito avançado ocorrerá um sério fenômeno e inconveniente conhecido como DETONAÇÃO, o que provoca danos às válvulas e suas sedes, pistões e anéis de segmentos. Outro componente, também causador de danos aos motores mal adaptados para GNV é o MESCLADOR, fabricado por qualquer torneiro sob orientação e especificações fornecidas por alguns instaladores. Para se chegar a estas especificações é necessário ter conhecimentos sobre motores e muitas horas de ensaios dinamométricos para se chegar às medidas próximas ao melhor rendimento do motor sem com isto comprometer o funcionamento do mesmo no outro combustível.
Constata-se, ainda, um grande número de equipamentos (kits) de diferentes tipos e marcas sendo comercializados em todo país, que não atendem a requisitos estabelecidos pela Resolução 291/2001do CONAMA Regulamenta o conjunto de componentes para conversão de veículos para uso do gás natural veicular. Este conjunto de componentes, o kit pelo qual é mais conhecido somente deve-riam estar sendo comercializados aqueles que tenham o CAGN, Certificado Ambiental para uso do Gás Natural, mesmo assim são comercializados, instalados, inspecionados e legalizados, sendo o usuário do GNV, na maioria dos casos, lesados, e como se não bastasse, estes kits, alguns são roubados e reinstalados na clandestinidade.
E aí se pergunta: Será o GNV, o responsável por tudo isto?
As Normas e Regulamentos que norteiam as instalações dos componentes pelo instalador registrado no INMETRO, e a inspeção do veículo pelos organismos credenciados tentam de certa forma proteger os usuários do GNV, nos aspectos de segurança e técnicos, porém ambos deixam margens para interpretações diversas, o que de certa forma contribui para a comercialização e instalação de tais kits.
O resultado de tudo isto certamente recairá no gás. A imagem que se tem hoje do GNV, já não é a mesma do ano 2000, apesar de suas tecnologias terem evoluído muito, e sendo um combustível excepcionalmente limpo, os sistemas de GNV quando instalados dentro dos padrões e normas nada têm a ver com o que de ruim está acontecendo no mercado.
Artigo escrito pelo prof. Luiz Antônio Bezerra




