Requalificação periódica
A segurança de um cilindro também depende da requalificação periódica
A requalificação periódica, também conhecida como reteste ou inspeção, nos cilindros que armazenam gases a alta pressão é obrigatória e muito importante para a manutenção da segurança deste produto.
Alguns acidentes acontecem devido às péssimas condições em que se encontram os cilindros, como foi o episódio ocorrido na cidade de Salvador, no estado da Bahia. Nesta ocasião, a explosão provocada pelo rompimento de um cilindro que armazenava GNV, não provocou vítimas fatais, mas houve feridos e danos materiais. Segundo especialistas que estiveram no local, pode ser observado que o cilindro apresentava corrosão acentuada e perda de massa, acarretando na diminuição da espessura de suas paredes e conseqüentemente fragilizando-o a ponto de não resistir à pressão de abastecimento.
Este fato ocorrido na Bahia não é isolado e isto reforça o cumprimento da regulamentação técnica do Inmetro e a importância da requalificação periódica dos cilindros. A regulamentação determina que os cilindros devem ser requalificados a cada cinco anos para avaliar as suas condições físicas. A requalificação é fundamental para determinar as características de resistência do cilindro à pressão do gás armazenado, eventualmente alteradas pelo seu uso ou devido à ação do tempo.
Além disso, durante a requalificação do cilindro, são avaliadas as condições mínimas exigíveis por
normas nacionais e internacionais a que um cilindro deve atender para considerá-lo apto para voltar ao serviço, independente de sua norma de fabricação.
Existem alguns fatores que podem modificar as propriedades do cilindro como: sua exposição a condições corrosivas; choques ou impactos de objetos sobre a superfície do reservatório; exposição ao fogo ou calor excessivo; e mesmo o número de vezes em que o veículo é reabastecido num determinado período de tempo.
A requalificação periódica poderá detectar, por exemplo, a manipulação indevida por pessoas inescrupulosas, que insistem em utilizar os cilindros sucateados ou que foram condenados para o seu uso, disfarçando-os com uma pintura ou aplicando produtos para recompor a sua estrutura, isto é um ato criminoso.
A requalificação dos cilindros que armazenam GNV somente deverá ser realizada nas empresas requalificadoras certificadas pelo Inmetro. Após a requalificação, estes cilindros recebem um selo com a marca do Inmetro, que identifica a conformidade às normas e aos regulamentos.
Na inspeção anual de veículos, realizada pelos Detrans em alguns estados, já se exige o cumprimento da regulamentação, mas isto deveria ser obrigatório em todos os órgãos de trânsito locais.
A necessidade quanto à divulgação dessa regra de segurança, deve ser responsabilidade de todos os envolvidos no mercado de GNV, o setor privado e o setor público podem conscientizar os usuários de veículos a GNV de sua importância.
A seguir é mostrada a seqüência das atividades dessas inspeções.
Fluxograma das etapas aa Requalificação Periódica
Verificação da identificação (marcação na cúpula)
A Identificação do cilindro é sua “carteira de identidade”. Portanto, um cilindro não é considerado apto para “existir” e conseqüentemente ser usado e retestado, isto é, a norma NBR 12274 claramente manda reprovar um cilindro que não tenha, no mínimo, as seguintes marcações:
a) número de série
b) nome, logotipo do fabricante ou procedência
c) ano de fabricação
d) pressão de serviço
e) norma de fabricação
f) sinete da entidade inspetora de fabricação
Estas marcações é que dão a legalidade do cilindro. Assim, nenhuma outra atividade envolvida na inspeção periódica pode ser desenvolvida, caso o que descrevemos antes esteja irregular.
Novamente: o cilindro deve ser reprovado nesta etapa.
Exemplo de marcação
Retirada e inspeção da válvula
- Verificação visual do estado da rosca e sua calibração com calibrador anel.
- Verificação do dispositivo de alívio de pressão (DAP).
Avaliação da massa
Perda de massa significa perda de espessura da parede por corrosão.
Assim, caso o cilindro apresente perda de massa superior a 5%, o cilindro deve ser inspecionado de outra forma (ex: ultra-som) para ser verificado se a espessura mínima de projeto está garantida.
Nota: o retestador/inspetor deve ser capaz de calcular a espessura mínima de projeto do cilindro em função da norma de fabricação.
Inspeção de rosca
- Inspeção Visual (mínimo de sete fios bons)
- Calibrador - Tampão
Nota: no caso de pequenos defeitos, a rosca pode ser reusinada com “macho” adequado.
Inspeção visua
- Externa (olho nú)
- Interna (lâmpada ou fibra ótica)
Deve-se levar em conta sempre a experiência do inspetor, devido à importância desta atividade. Busca-se nesta etapa, além de defeitos causados pelo uso, alterações físicas realizadas por pessoas não autorizadas (adulterações).
Portanto, após a limpeza externa (remoção completa da pintura) e interna (retirada de óleo, óxidos,
etc.) e só então, realiza-se as inspeções visuais.
- Danos causados por fogo (qualquer evidência de que o cilindro passou por fogo é condenatória).
- Efeitos de arco elétrico (solda) ou bico de gás, também são condenatórios.
- Marcações duvidosas (no corpo)
- Calombos (condenam o cilindro, mesmo que pequenos)
- Mossas,Cortes e Corrosão avaliar conforme tabela da norma
- Trincas (condenam o cilindro)
- Dobras de laminação (condenam o cilindro)
Testes hidrostáticos
Objetivo: Verificar a resistência mecânica do cilindro quando este é submetido à pressão de teste; se a resistência mecânica conferida ao cilindro quando foi fabricado (segurança) permanece existindo dentro dos padrões de aceitação das normas.
Pressões de teste
Conforme a norma de fabricação.
Padrão de aceitação
A Expansão Volumétrica Permanente não deve exceder 10%.
Da Expansão Volumétrica Total.
Métodos de teste { Camisa D´água
Expansão direta
Por Rejane Acioli







