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Serviço de requalificação de cilindros para GNV preocupa mercado

Serviço de requalificação de cilindros para GNV não é executado de acordo com os critérios estabelecidos por norma e deixa o mercado preocupado.

O serviço de requalificação de cilindros para GNV não está sendo realizado de acordo com os critérios estabelecidos pela regulamentação técnica do Inmetro. Esta constatação é dos próprios consumidores, que estranham, muitas vezes, a rapidez como é executado este serviço. Em alguns casos, existem denúncias, até da falta de conhecimento técnico dos requalificadores. Além disso, não cumprem integralmente com a norma NBR 12274, onde estão estabelecidos os critérios técnicos e, optam por um custo menor, realizando parte do serviço, pondo em risco a segurança do usuário.

Existem casos que o risco é dos próprios técnicos que realizam o serviço de requalificação, como por exemplo, desgaseificar o cilindro fora do local adequado.

Outra prática indevida, é a falta da execução do teste hidrostático, os fabricantes de cilindros alertam para a importância deste ensaio, pois ele pode nos mostrar quanto este cilindro está expandido e, se poderá continuar sendo carregado, tendo em vista as expansões sofridas durante os enchimentos
contínuos.

Segundo técnicos do Inmetro, as empresas que executam este serviço são avaliadas e certificadas pelos organismos que acreditados por este órgão para este escopo. Eles dizem ainda, que nos casos da constatação das evidências do não cumprimento da regulamentação técnica pertinente a esta
atividade, estas empresas serão penalizadas de acordo com os critérios previstos para concessão da licença para uso da marca da conformidade.

“As empresas de requalificação que não cumprem com os requisitos estabelecidos por norma, além de estarem agindo de forma ilegal, colocam em risco também o programa de GNV, pois se ocorrer algum acidente com um cilindro que foi mal requalificado, todos acabam perdendo”, alertam os fabricantes de cilindros.

Por Rejane Acioli

Mitos e verdades sobre o GNV

O uso mais freqüente do GNV tem trazido a tona alguns mitos, entre os consumidores. A falta de informação é o principal motivo pelo qual, muitos usuários deixam de fazer a manutenção periódica e acham que não é necessário o uso do combustível líquido.

A utilização do combustível original do veículo é necessária, pois a sua falta poderá ressecar e danificar vários componentes. Outro item que deve ser observado é a troca de alguns componentes como, velas e cabos de velas e outros específicos para o uso do GNV.

Mas, alguns cuidados devem ser tomados pelos consumidores que estão se decidindo pelo uso do GNV, como por exemplo, exigir na hora da instalação, um kit adequado ao seu veículo, obedecendo o patamar tecnológico e conseqüentemente não trazendo prejuízos ao proprietário desse veículo.

Os veículos mais novos, com injeção eletrônica, principalmente os mais recentes, possuem o coletor de admissão fabricado em plástico, a atenção neste momento se volta para o efeito de retorno de chama que poderá ocorrer, se o gerenciamento eletrônico da mistura não for correto, ocasionando até a quebra desse coletor. Alguns curiosos insistem em reforçar o coletor de plástico ou mesmo trocá-lo, levados pelo desconhecimento técnico do assunto.

A seguir veja uma relação de mitos mais comuns que são comentados no mercado:

Os veículos que utilizam GNV, perdem potência?
Os motores alimentados com GNV apresentam potência menor, quando o mesmo motor é alimentado com gasolina ou álcool. Veja alguns fatores que provocam esta redução:
- O motor que foi projetado para receber o combustível liquido, tem a taxa de compressão baixa para o GNV.
- A curva de avanço de ignição é ideal para o combustível liquido.
- As relações estequiométricas distintas entre os combustíveis, favorecem o liquido, que é possível colocar mais energia para a mesma massa de ar admitida.

Todos os veículos que instalam o sistema de GNV reduzem a vida útil do motor do veículo?
Não. Teoricamente os motores que utilizam GNV devem ter as suas vidas úteis maiores, pois a carbonização do motor é muito menor ou até inexistente com o GNV, os esforços gerados na combustão do GNV são menores.

O sistema de GNV resseca toda a instalação original do veiculo quando não é utilizado o combustível original do veículo?
Sim. Encontramos muitos veículos que utilizam o GNV com seus componentes do circuito de gasolina ou álcool ressecados, inclusive as mangueiras, devido a sua inoperância ou falta de manutenção preventiva. Com a utilização freqüente do combustível líquido, os componentes originais são conservados por muito tempo.

É verdade que para os veículos que possuem coletor de plástico, temos que mandar fazer outro coletor de alumínio ou fazer um revestimento no coletor?
Não. O coletor de admissão é um componente muito importante no que tange ao desempenho e emissões de poluentes atingidas pelo motor, portanto não é recomendável modificar essa peça com a finalidade de evitar a sua ruptura com retorno de chama.

Se não seguir este procedimento o coletor pode explodir?
Sim. É possível ocorrer a quebra do coletor de plástico no retorno de chama.

Quais os danos causados com a explosão do coletor?
De imediato é o prejuízo financeiro na troca da peça e o não funcionamento do motor em ambos os combustíveis. Além disso, a paralisação do motor e conseqüentemente perda da eficiência dos freios e endurecimento da direção, dependendo da velocidade que o veículo se encontrar pode acarretar um acidente de grande monta.

Por que ocorre o retorno de chamas?
O retorno de chama é provocado por alguns fatores tais como, sistema de ignição deteriorado, mistura pobre, estratégia do sistema de controle do motor, entre outros.

As bombas de combustíveis podem queimar por causa do GNV?
Não. A bomba elétrica utilizadas nos sistemas de injeção eletrônica, NÃO queima por causa do GNV. O que provoca a sua queima é o casamento de alguns fatos, a permanência da bomba ligada quando o motor está utilizando o GNV e o baixo nível ou inexistência do mesmo no interior do tanque.

Colaboração: Engenheiro Edson Carrete

Trabalhando sob pressão

Manutenção periódica do redutor garante economia e segurança.
Para se ter uma idéia da importância da requalificação do redutor de pressão para o bom funcionamento de um veículo movido a GNV, poderíamos compará-la com a importância de um check-up cardiológico para o funcionamento do seu corpo. Com uma vantagem: È muito mais fácil trocar as peças desgastadas do motor de um carro.

O redutor é um dos componentes mais exigidos em um sistema GNV. É ele quem recebe o gás vindo do cilindro, a uma pressão média de 200 bar, e o prepara para a entrada no motor, a apenas 1,5 bar, em média. Tal esforço faz com que este componente, geralmente fabricado em liga de alumínio, necessite de uma revisão periódica a cada um ano ou, no máximo, 150 mil km de uso, segundo Edson Carrete, diretor técnico da Rodagás.

A revisão periódica consiste na troca de componentes de vedação - como borrachas e juntas - e análise da resistência do redutor e seus componentes. Quem tem veículo movido a GNV não pode descuidar dessa revisão períódica, alerta Edson Carrete, sob pena de enfrentar problemas como mau rendimento do motor, vazamentos e até comprometer toda a segurança do sistema. É melhor investir de R$ 100 a R$ 150 na revisão periódica do redutor, do que ter perdas por mau funcionamento do sistema, com desperdício de gás natural. A tão decantada economia do GNV pode, neste caso, literalmente ir pelos ares.

Outro fator importante é a quem confiar os serviços de revisão periódica. Uma oficina dita “especializada” em gás natural não é garantia de um bom serviço, alerta Carrete. O ideal, é que a revisão periódica do redutor fosse feita pelo próprio fabricante ou por oficina credenciada como assistência técnica da marca.
Muitos “mexânicos”, sabendo da importância da revisão periódica do redutor, oferecem esses serviços a preços módicos, o que é um risco, pois o trabalho envolve troca de componentes feitos sob medida e materiais homologados que não podem ser substituídos por “similares”.

Mas o pior mesmo é negligenciar a atenção com o funcionamento do redutor. O fato é que, a exemplo da Rodagás, a tecnologia atualmente empregada na fabricação dos componentes do sistema, muitas vezes o torna tão eficiente que os consumidores relaxam em sua manutenção.

É preciso revisar válvulas, conexões, mangueiras, componentes mecânicos e eletrônicos com a mesma importância. É como na aviação, a manutenção preventiva é que vai garantir o funcionamento eficiente e seguro, traduzindo em economia máxima, para o usuário.

Por Edilson Vieira

Atravessando fronteiras

Um novo produto promete aproximar os países do Mercosul

A Rodagás, empresa brasileira pioneira no desenvolvimento de sistemas de gás natural, concluiu o projeto de um dispositivo que vai resolver um antigo problema: O abastecimento de veículos movidos à Gás Natural Veicular, nos países pertencentes ao Mercosul. Trata-se de um adaptador para bicos de abastecimento para que os motoristas possam circular entre os países vizinhos ao Brasil, com seus carros movidos a GNV, sem enfrentar problemas para abastecer. A iniciativa da Rodagás, se for bem aceita, pode promover uma revolução na economia e no mercado do gás natural no Mercosul já que estamos falando de uma região que abrange países com frotas em torno de um milhão de veículos convertidos para GNV, ou seja, um dos maiores mercados do setor no mundo, a exemplo do Brasil e da Argentina.

De início, o projeto contempla soluções para o abastecimento de veículos na Argentina e no Chile mas, segundo Edson Carreti, diretor da Rodagás, para que o novo produto entre na linha de produção falta apenas definir se o adaptador será utilizado nos carros ou nas bombas de abastecimento. Ele explica que os bicos de abastecimento utilizados na Argentina utilizam um princípio de funcionamento semelhante ao brasileiro, mas diferem no tamanho da peça, já os adotados no Chile são bem diferentes, tanto no funcionamento como nas dimensões, eles adotam o modelo NGV 1. “Como a nossa empresa já fabrica esse tipo de produto para o mercado local, não teremos muita dificuldade em processar a usinagem das peças”, diz Carrete.

A Rodagás está à espera agora da conclusão dos estudos feitos por uma comissão do Inmetro para definir que tipo de peça é mais viável para o mercado, se o adaptador para os veículos ou para os postos de combustível. Mas é possível prever que o adaptador vai permitir um intercâmbio maior entre turistas e comerciantes dos países vizinhos que assim, poderão desfrutar da economia de seus veículos movidos a GNV, dessa vez, sem fronteiras.

“O Inmetro, vem participando das discussões no âmbito do Mercosul, para a harmonização do dispositivo que irá eliminar uma barreira técnica nesta região, que é a dificuldade quanto ao abastecimento de GNV, tendo em vista a diferença dimensional entre os dispositivos instalados nestes veículos, explica Italo Oliveto, coordenador nacional do grupo de gás natural do Mercosul. Para resolvermos este problema, estamos harmonizando um dispositivo, denominado adaptador, nesse caso, os veículos que utilizam o gás natural, provenientes dos Estados Parte do Mercosul, poderão cruzar as suas fronteiras e abastecer com este combustível, sem nenhum inconveniente. Além do adaptador, estaremos regulamentando uma regra geral no Mercosul, que controlará as instalações destes veículos, bem como seus componentes instalados e a origem dos mesmos. Pela agenda de trabalho, estaremos terminando este projeto e será apresentado para consulta pública até o final deste ano, conclui Oliveto.

Globo Gás Brasil

Combate a incêndio em veículos a GNV

Um acidente, ocorrido no Rio de Janeiro, com um veículo a gás natural (GNV), trouxe à tona a necessidade de se reforçar alguns conceitos básicos, sobre as técnicas de combate a incêndio nesse tipo de caso.

O que é necessário lembrar sempre, é que o chamado veículo a GNV, convertido em nosso país, é um veículo bi-combustível. Isto é, o veículo possui um reservatório de gasolina ou de álcool, e mais um de gás natural. Dadas as propriedades físicas do GNV, ele entra em ignição a temperaturas de 480 a 630 graus centígrados. Como a gasolina ou o álcool entram em ignição a temperaturas mais baixas, conclui-se que o incêndio num veículo a bi-combustível a GNV é iniciado sempre pelo combustível líquido.

Uma vez iniciado o incêndio, há possibilidade dele atingir o cilindro de armazenamento do gás, o qual está pressurizado à pressão máxima de 200 bar. O tamanho e o número desses cilindros é determinado pela disponibilidade de espaço nos diversos veículos, ou mesmo pela vontade do usuário.

A primeira medida é evacuar todas as pessoas da área perigosa, mantendo-as a uma distância mínima de 30 metros do veículo em chamas.

O calor gerado pelo incêndio pode aumentar a pressão do gás armazenado. Por essa razão, os cilindros de armazenamento de GNV são todos equipados com dispositivos de alívio de pressão para atuar em casos como esse, evitando a ocorrência de um rompimento.

Na hipótese do veículo estar totalmente envolto em chamas e o cilindro estar sofrendo a ação do calor, não se deve lançar sobre ele um jato de água direto ou um jato sólido. Isso pode modificar as características de resistência do material. Procure reduzir o calor no cilindro, através do uso de uma neblina de água, até que o dispositivo de segurança entre em funcionamento liberando o gás contido e assim evitando modificações na estrutura metálica do cilindro causadas pelo choque térmico. Enquanto não houver certeza de que o gás foi liberado, o cilindro não pode receber jato de água direto, ou seja, jato sólido.

Considerando que:
¨ não se sabe se o veículo em chamas é um veículo convertido para GNV;
¨ não se sabe o volume existente de combustível líquido e materiais inflamáveis;
¨ não se pode avaliar qual o volume de GNV no cilindro;
¨ não se sabe se os dispositivos de segurança liberaram o GNV;
¨ não se pode saber também a que temperatura está o cilindro;
¨ sempre devemos considerar que qualquer veículo possa tratar-se de um veículo convertido para GNV.

O QUE FAZER NESTE CASO?

Simplesmente:
¨ não utilizar jato de água “sólido”, diretamente no cilindro; o incêndio começa normalmente no motor;
¨ utilizar jato de água em forma de neblina;
¨ manter-se numa distância do veículo de pelo menos três metros;
¨ no primeiro momento, manter-se agachado, deitado, ou mesmo protegido por outro veículo próximo, poste, árvore ou paredes.

POR QUE ESSES CUIDADOS?

Infelizmente, como acontece em todos os demais setores de atividades, não podemos deixar de mencionar que aqui também o FATOR HUMANO interfere na avançada tecnologia que foi desenvolvida para a conversão de veículos a GNV. As interferências vão, dentre inúmeras outras, desde a obstrução de dispositivos de segurança, eliminando-os parcial ou totalmente, indo até a utilização de componentes inadequados para suportar a pressão de 200 bar.

O uso de gás natural veicular é extremamente seguro, dadas suas características de inflamabilidade, superior a qualquer outro combustível líquido, e amplamente utilizado em todo o mundo em mais de 3 milhões de veículos. O Brasil conta com a segunda maior frota de veículos a GNV do mundo, depois da Argentina que tem 1,2 milhões de veículos usando esse combustível.

O Brasil incorporou, além da alta tecnologia, um rol de normas técnicas e regulamentos, de alto cunho técnico. As normas adotadas para a fabricação de componentes em geral e no cilindro de armazenamento do gás em particular, são baseadas nas normas ISO - International Standards Organization e confirmadas pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas e pelo Inmetro. Além das normas citadas, o Inmetro já dispõe de toda a regulamentação necessária, também baseada em práticas em todo o mundo, para assegurar a segurança e qualidade dos componentes e de sua instalação nos veículos. A utilização dessas normas e regulamentos é fiscalizada por organismos credenciados pelo Inmetro.

Colaboração: R.Fernandes, Coordenador do Comitê de GNV do IBP

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