Abrir o capô do veículo para abastecer com GNV é coisa do passado
O abastecimento dos veículos que possuem o sistema de GNV é cercado de rituais particulares e obrigatórios. Iniciando pela necessidade da abertura do capô do motor onde se encontra a válvula de abastecimento e do compartimento onde se encontra o cilindro, passando pelo desembarque de todos os ocupantes, entre outros procedimentos. Em alguns lugares do mundo, onde o uso do GNV é muito anterior ao do Brasil, é comum encontrar paredes reforçadas separando os veículos durante o abastecimento, cercando esse momento ainda mais de segurança. Logicamente que esses procedimentos não são em vão, pois esses momentos são os que causam maior “estresse” ao sistema e os acidentes mais graves, que também ocorrem nesse momento.
O fato de todos deixarem o interior do veículo adicionada à fidelidade dos proprietários aos postos acabou nascendo um relacionamento que não acontece no abastecimento com combustível líquido, mas o fato de ter a obrigação de abrir o capô do motor sempre incomodou muita gente, isso se dava devido a todas as válvulas de abastecimento possuírem em um único conjunto, o sistema de fechamento rápido e receptáculo de abastecimento, componentes obrigatórios exigidos por norma.
Há pouco tempo atrás começamos a encontrar no mercado o receptáculo do abastecimento separado do corte rápido esse último ainda continua com a necessidade de ser instalado sob o capô do motor, porém o primeiro isolado deu mais liberdade aos instaladores para atender a reivindicação dos proprietários.
Passamos então a encontrar o receptáculo instalado em muitos lugares criativos, por exemplo, na grade frontal do veículo, nos pára-choques, no engate de reboque e também sob a tampa do bocal de abastecimento do combustível líquido. Uma coisa que não pode ser desconsiderada é o aspecto da segurança em detrimento da praticidade no momento do abastecimento.
Explicando melhor o aspecto da segurança da localização da instalação do receptáculo, todos os receptáculos são compostos de um orifício que tem as suas dimensões previstas em norma (diâmetro x comprimento), terminal de proteção que é uma segunda segurança funcionando com um tampão impedindo que o gás vaze, e o sistema de anti-retorno que impede que o gás do cilindro retorne a fonte no final do abastecimento. Mas para possibilitar a aplicação do receptáculo remoto é necessário utilizar mais um trecho de tubulação de alta pressão que é conectada à válvula de cilindro.
A segurança a que nos referíamos acima está em prever, por exemplo, em caso de colisões que o receptáculo possa ser arrancado ou o seu tubo de interligação com o cilindro danificado e não ocorra vazamento de gás, lembrando que nesse caso o gás se encontra a alta pressão.
Desta forma é necessário saber onde está aplicado o sistema de anti-retorno, junto ao receptáculo ou a válvula de cilindro, antes de utilizar a criatividade e instalá-lo, infelizmente não são todos os veículos que permitem fazer a instalação do receptáculo junto ao bocal do tanque de combustível, onde entendemos ser seguro, pratico e protegido da intempérie.
Alguns podem perguntar, mas no caso de acidentes o sistema de excesso de fluxo da válvula de cilindro, não seria acionado? Sim, provavelmente seria acionado, mas estamos falando em não ter vazamento em caso de acidentes no lugar de um pequeno vazamento inerente ao sistema de excesso de fluxo, que consideramos ser melhor.
Colaboração: Engenheiro Edson Carrete (Responsável pela área de desenvolvimento tecnológico da Rodagás do Brasil)
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